sexta-feira, 18 de abril de 2008

Nos jornais de hoje...

Nos dias de hoje, notícia tende a ser sinônimo de conhecimento. Conhecimento, este, veiculado pela mídia em geral, seja virtualmente, seja de modo impresso. Quanto às notícias ali veiculadas, percebe-se, num padrão de conhecimento trazido, um detalhe intrigante: a maior parte das notícias traz um fato, seus personagens e, o detalhe, um direito violado.
Assim, tem-se que um jornal de grande circulação deve trazer notícias as mais importantes possíveis para a sociedade leitora. Notícia importante é aquela que traz fatos relevantes para a vida, para um grupo específico de pessoas, ou para todos de modo geral. Ocorre que, geralmente, traduzimos as notícias de forma superficial. E, como dito, a notícia tende a ser sinônimo de conhecimento. Aqui então constatamos: poucos de nós pensam o suficiente para analisar a notícia-conhecimento que é trazido nos veículos de informação.
Exemplificando. Quando lê-se “Dengue não pára de crescer”, por trás dessa notícia está o descaso dos agentes políticos do nosso país, os quais administram dinheiro público sem moralidade ou eficiência alguma, não garantido a existência de políticas sociais e econômicas que visem a redução do risco de doença, ou seja, ocorre a violação do direito de todos à saúde e à vida dignas.
Da mesma forma, têm-se “Sem-teto promove bloqueio de duas rodovias” contrapondo-se à “Inflação faz taxa de juros subir após 3 anos”. Implícito está a preocupação maior em satisfazer a macro-economia – numa tentativa de conter a inflação ou o consumo exacerbado, aumenta-se a taxa SELIC, sendo que esta, por sua vez, prejudica quem possui aplicação em renda fixa ou empresários exportadores, etc. – em detrimento da promoção de uma política social e econômica que atenda àquele grupo de pessoas que subsiste sem nem um teto para dormir, sem renda e sem dignidade – marginalizado a qualquer discussão, qual seja, econômica, social, agrária, etc.. Numa notícia veicula-se um apelo de atenção por parte do Governo para remediar uma situação crítica daqueles cidadãos; e na outra mostra, a atenção preventiva do Governo voltada nítida e prioritariamente para o risco inflação. Resumindo: quando a prioridade “em prevenção” não está diretamente no povo, apresenta-se violação do objetivo maior do nosso Estado-governo – que é o de erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as desigualdades sociais e regionais.
Continuando, “Suspeita de fraude vira caso de polícia”. Aqui o fato é suspeita de fraude num procedimento administrativo no Poder Legislativo, leia-se: temos representantes, eleitos por nós, mal versando a administração pública, ou seja, violando o dever de probidade e moralidade nos quais devem estar calcados as pessoas políticas. Estas pessoas representam brasileiros que exercem um papel fundamental na sociedade, que é o de gerir o funcionamento do Estado no qual vivemos. Assim, conseqüentemente, houve mais direitos violados.
Desse modo, diuturnamente, deparamo-nos com notícias que trazem violação a direitos. E essas violações não são percebidas pela simples leitura. Não sendo possível, assim, sem uma breve reflexão, sermos detentores daquele real conhecimento veiculado. Sucede que é de suma importância esta reflexão sobre o fato, seus personagens e, mais ainda, sobre os direitos ali violados. A conseqüência de uma notícia superficialmente produzida e de uma leitura sem reflexão é a permanência do status quo, por já estarmos acostumados com tantas e graves violações na sociedade.
Enfim, o objetivo de qualquer notícia é informar o fato ao leitor. Geralmente, fato que representa violão a algum direito. E da análise das causas e conseqüências vem a possibilidade de traduzirmos todo o conhecimento, nem sempre veiculado ou lembrado pelo escritor.

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